Politeísmo

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Politeísmo é uma categoria que se define pelo reconhecimento religioso de muitos deuses. Distingue-se de forma óbvia do monoteísmo, que reconhece apenas uma divindade, mas também do monolatrismo e henoteísmo, que aceitam a existência de várias embora adorando apenas uma – motivo pelo qual a mera crença em muitos deuses não é suficiente para definir o politeísmo enquanto categoria. É ainda distinto de resumos da pluralidade divina a meras manifestações de uma única entidade (monismo) ou duas (duoteísmo), o que é comum no neopaganismo wiccan e no discurso inter-religioso dos nossos dias, onde impera a ideia de que é tudo o mesmo com máscaras diversas.

Isto não quer dizer que monolatrismo e monismo não sejam conciliáveis com religiões politeístas, mas só até certo ponto! Por exemplo, se eu tiver um enfoque particular num deus, mas sem descurar o culto a outros, eu continuo a ser um politeísta; já se me focar numa única divindade e não adorar quaisquer outras, mesmo que acredite nelas, então eu serei um monolatrista ou henoteísta. E se eu achar que alguns deuses são os mesmos, continuo a ser um politeísta; se acreditar que todos são um único deus, então eu serei um monista. Isto não é mera semântica! Palavras diferentes identificam mesmo práticas e crenças diferentes!

A partir daqui, para lá da definição básica, tudo o resto são especificidades que dependem das características de formas particulares de politeísmo. Algumas têm ortodoxia, outras são meramente ortopráxicas e enfatizam a prática ritual em vez da regulação da crença. Há as que têm códigos morais, as que têm escrituras e as que vivem sem elas. Algumas têm um enfoque cultural, outras são abertamente ecléticas. Os ritos de uma, tal como os templos e símbolos, não são os de outra, embora por vezes os deuses possam ser comuns. Algumas têm um teor mais filosófico, outras são mais pragmáticas e nem todas exigem uma forma de iniciação. Muitas, senão mesmo a maioria, não são sequer exclusivistas. E tudo isto acaba por ser reflexo da própria pluralidade divina: muitos deuses, muitos cultos, muitas formas de ver e viver o mundo e sem que isso tenha que ser acompanhado de ideias de conversão, punição, submissão ou condenação da diferença. Uma vez dentro da definição básica de crença e culto a muitos deuses, a diversidade é a característica basilar não só do politeísmo enquanto categoria religiosa, mas também de múltiplas religiões politeístas.